terça-feira, 12 de abril de 2011

Baixa escolarização portuguesa - opinião

Portugal apresenta, na actualidade, uma das mais baixas taxas de escolarização secundária entre os países da OCDE, segundo David Justino (2010)


Este autor aponta para que o “actual sistema de ensino não está concebido para a promoção do sucesso escolar e em muitos casos o insucesso acumulado potencia o abandono” P. 62


Devendo-se, ao facto do ensino secundário se ter transformado num ciclo preparatório do acesso ao ensino superior, favorecendo a desistência daqueles a quem não interessa seguir o ensino superior, sem promover a formação indispensável a uma boa profissionalização e consequentemente uma integração no mercado de trabalho, o que representa um desperdício de capital humano, ou seja,


“…um abandono desqualificado, com os jovens a serem lançados num mundo para o qual não (dispõem) de qualquer competência profissional” David Justino, 2010. p. 61


Por isso a (re)introdução do ensino profissional vem colmatar uma lacuna no sistema educativo, mas à “ entrada do séc. XXI, as escolas profissionais ainda não conseguiram responder a mais de 50% da procura” David Justino, 2010


Acontece é que no ensino público os cursos tecnológicos não são atractivos para os alunos que vêem este “tipo de ensino uma espécie de ensino de segunda” e sem capacidade de colocação no mercado de trabalho.


Estabelece o paradoxo de “o sistema de ensino ser entendido como uma competição selectiva e não como uma capacitação integradora”. E portanto, neste sentido, “o sistema de ensino, tal como está organizado, não é vocacionado para promover o sucesso dos alunos, mas tão-só para os seleccionar ao longo do seu trajecto educativo” David Justino, 2010. p.63


A forma como se distribuem as elevadas taxas de retenção ao longo dos 12 anos de escolaridade, sugerem problemas de articulação entre ciclos, excessos de mudanças de estabelecimentos e uma débil orientação das escolas para prevenir o insucesso escolar.


A acumulação dos insucessos no trajecto escolar é um factor de antecipação do abandono, e conduz a baixas expectativas de escolarização e da auto-estima.


Bibliografia


Justino, D. (2010). Difícil é Educá-los. Lisboa: Relógio D'Água Editores.



Apologia


È um livro interessante sob vários aspectos da educação. David Justino parece-me um bom conhecedor do estado da educação deste país e da sua história.


É um bom livro para se ler e rever.


Tive a oportunidade de ouvir David Justino num dos seminários sobre educação em Braga, promovido pela ANP. Poucos momentos levaram-me a crer, ser uma pessoa de poucas palavras mas boas. O seu livro revela bem a pessoa que é, pois não usa a pretensão para formar uma opinião, e é de compreensão fácil e ideias claras.

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