quarta-feira, 20 de abril de 2011

A educação, o futuro e o país

"Falta sentido de futuro e capacidade de reflexão prospectiva à educação em Portugal. Este éo mais decisivo obstáculo para que possamos superar, nem que seja parcialmente, o atraso educativo…


A elaboração de um estudo renovado era um passo indispensável para permitir um primeiro esboço dos desafios que temos pela frente. A partis daí op debate teria de ser +político e deveria convergir numa nova lei de bases da educação que orientasse as políticas educativas nos próximos quinze a vinte anos, sem pressas nem precipitações, de forma a construir o consenso mais alargado possível em torno da escola do futuro. Uma lei em que a sociedade portuguesa se possa reconhecer e que constitua a base de convergência indispensável à elaboração de uma estratégia sustentável de desenvolvimento.” (Justino, 2010)P. 127, 128



Bibliografia


Justino, D. (2010). Difícil é Educá-los. Lisboa: Relógios D'Água Editores.




A educação, o futuro e o país

“Falta sentido de futuro e capacidade de reflexão prospectiva à educação em Portugal. Este éo mais decisivo obstáculo para que possamos superar, nem que seja parcialmente, o atraso educativo…


A elaboração de um estudo renovado era um passo indispensável para permitir um primeiro esboço dos desafios que temos pela frente. A partis daí op debate teria de ser +político e deveria convergir numa nova lei de bases da educação que orientasse as políticas educativas nos próximos quinze a vinte anos, sem pressas nem precipitações, de forma a construir o consenso mais alargado possível em torno da escola do futuro. Uma lei em que a sociedade portuguesa se possa reconhecer e que constitua a base de convergência indispensável à elaboração de uma estratégia sustentável de desenvolvimento.” (Justino, 2010) P. 127, 128

Um fenómeno chamado "Movimento dos Professores"

“Nos últimos anos, assistimos a um fenómeno relativamente novo que merece uma atenção especial. Falamos do que ficou conhecido por “movimento dos professores”, que assumiu proporções até então nunca conhecidas. Nascido da contestação ao novo modelo de avaliação de professores e ao estatuto da carreira docente, este movimento ganhou uma expressão pública e demonstrou uma capacidade de mobilização que surpreendeu as próprias organizações sindicais, que em certos momentos foram claramente ultrapassadas. Para isso muito contribuiu o recurso generalizado às novas tecnologias de informação e comunicação, com os blogues e as mensagens electrónicas a estruturarem autênticas redes sociais de informação, debate e mobilização, como nunca tinha acontecido. Foi claramente o primeiro movimento social da era da Internet a ter uma projecção nacional e a alterar a lógica tradicional de conflito entre órgãos de poder e um corpo profissional.” (Justino, 2010) P. 123

Escola Pública versus Privada

“Só um argumento favorece a presença maioritária do Estado na educação enquanto administrador directo do ensino: é o argumento, mesmo assim contestável, da equidade e da igualdade de oportunidades.” (Justino, 2010)P. 108


“Os defensores da escola pública raramente acrescentam argumentos válidos que não sejam o da garantia da protecção do Estado a uma actividade que continua a assumir uma dimensão social importante.” (Justino, 2010) P. 108


“Os defensores da iniciativa privada raramente escondem a ambição de +poderem beneficiar dessa mesma protecção do Estado para garantir o financiamento do serviço público a prestar, em condições que lhes permitam socializar o risco do investimento.” (Justino, 2010)P.109

CIVILIDADE

“Há porém, um pressuposto da cidadania que nem sempre é considerado: a civilidade.


Civilidade, define-se de forma simplificada como o conjunto de normas de convivência entre os diferentes membros de uma sociedade organizada. Trata-se de regras interiorizadas e maioritariamente aceites como requisitos da vida social, integrando não só os valores, princípios que orientam o comportamento dos indivíduos, mas também as normas de conduta que disciplinam a actividade desses indivíduos.” (Justino, 2010)P. 100

Predisposição à inovação

"Há competências que têm vindo a ser valorizadas nas últimas décadas, as que “sustentam atitudes favoráveis à inovação em contextos culturais de mudança.”


….


“A educação tem um contributo a dar, mas não através de uma pseudocultura de inovação educacional que dominou a reflexão pedagógica nas últimas décadas. O entusiasmo acrítico pela inovação educacional, porque não reflectido em função dos problemas de base e não processada pelo conhecimento, conduziu ao mimetismo de experiências estranhas, à adopção voluntaristas de experiências não avaliadas e à replicação no ensino de práticas e lógicas de inovação tecnológica ou organizacional que pouco ou nada tinham que ver com a educação”(Justino, 2010) p. 97

Um bom professor, segundo Justino

“Um bom professor, tal como uma boa escola, é aquele que consegue contrariar o determinismo sociológico do estatuto socioeconómico familiar pela quantidade do seu ensino, pela forma como potencia as aprendizagens, pelas expectativas que consegue criar e pelas capacidades que consegue desenvolver nos alunos. Por isso dá tanto trabalho ser professor.” (Justino, 2010)P 91, 92

Diferença entre universalidade e obrigatoriedade

“A primeira resulta da vontade e da opção do cidadão, a segunda de um desígnio do Estado pretensamente em benefício do cidadão e da sociedade.


Mesmo nas sociedades onde o valor social da educação era elevado, o Estado sentiu necessidade de recorrer à acção coerciva visando alguns grupos mais pobres ou socialmente excluídos. Como era reconhecido pelo filósofo e economista inglês Stuart Mill (1806-1873), a pobreza é pouco compatível com a educação.” (Justino, 2010)P. 53, 54

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Novas Tecnologias, mais do que aprender a fazer, aprender a pensar.

“Mais do que aprender a fazer, as aprendizagens têm de orientar-se para o aprender a pensar. Este é o grande desafio de quem não quer ficar pela “sociedade de informação” e quer entrar decisivamente na “sociedade do conhecimento”. Separa estes dois tipos de sociedade a capacidade de utilizar a informação disponível e abundante para produzir novo conhecimento que só este saber pensar permite. Por outras palavras, essa diferença vai do consumo acrítico da informação disponível à capacidade de produzir nova informação, resultante da elaboração sistemática e racional da primeira.” (Justino, 2010) P. 84

Tenho medo de coisas empolgantes porque nos levam facilmente à decepção e consequentemente ao abandono.


Penso que, o que é novo deve ser introduzido em doses moderadas.


David Justino comenta em seu livro que embora o fascínio pelas tecnologias tenha influenciado as políticas educativas e as práticas pedagógicas (papel da televisão no ensino à distância, a importância do vídeo no alargamento dos conteúdos didácticos, a máquina de calcular para a matemática, a importância do ensino assistido por computador, os projectores de imagem, os quadros interactivos ou a internet para diversificação dos instrumentos de trabalho e para acesso a informação susceptível de enriquecer uma aula), pouco correspondeu aos resultados alcançados na qualidade do ensino. Mesmo que se reconheça que os alunos aprendam mais em menos tempo, demonstrem atitudes mais favoráveis à aprendizagem, em especial nas experiências que exigem nível elevado de raciocínio e de resolução de problemas e que tendam a desenvolver práticas mais cooperativas, em todas estas situações se verificou que o papel do professor é decisivo, e que, mesmo sendo esta familiarização com as novas tecnologias, um ganho, elas “não passam de instrumentos” (atraentes e sofisticados). “Se o aluno não sabe estruturar um texto argumentativo, não há nenhum processador de texto que o ajude. Se não sabe interpretar o enunciado de um problema, não será a folha de cálculo que o fará. Se não sabe formular um problema, nenhum programa o ajudará a encontrar a melhor solução”


Tudo isso poderá ser negativo se especialmente nos conduzir à desvalorização do fundamental no processo educativo: o desenvolvimento de competências cognitivas, capacidade de raciocínio lógico, domínio das maneiras de pensar cientificamente conduzidas, _ saber pensar.


Por esta razão ao abordar este tema chama-lhe “A Ilusão Tecnológica”, justamente porque” de pouco vale a tecnologia se ela não for utilizada para o desenvolvimento de processos cognitivos cada vez mais complexos” (Justino, 2010)



Bibliografia


Justino, D. (2010). Difícil é Educá-los. Lisboa: Relógio D'Água Editores.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Baixa escolarização portuguesa - opinião

Portugal apresenta, na actualidade, uma das mais baixas taxas de escolarização secundária entre os países da OCDE, segundo David Justino (2010)


Este autor aponta para que o “actual sistema de ensino não está concebido para a promoção do sucesso escolar e em muitos casos o insucesso acumulado potencia o abandono” P. 62


Devendo-se, ao facto do ensino secundário se ter transformado num ciclo preparatório do acesso ao ensino superior, favorecendo a desistência daqueles a quem não interessa seguir o ensino superior, sem promover a formação indispensável a uma boa profissionalização e consequentemente uma integração no mercado de trabalho, o que representa um desperdício de capital humano, ou seja,


“…um abandono desqualificado, com os jovens a serem lançados num mundo para o qual não (dispõem) de qualquer competência profissional” David Justino, 2010. p. 61


Por isso a (re)introdução do ensino profissional vem colmatar uma lacuna no sistema educativo, mas à “ entrada do séc. XXI, as escolas profissionais ainda não conseguiram responder a mais de 50% da procura” David Justino, 2010


Acontece é que no ensino público os cursos tecnológicos não são atractivos para os alunos que vêem este “tipo de ensino uma espécie de ensino de segunda” e sem capacidade de colocação no mercado de trabalho.


Estabelece o paradoxo de “o sistema de ensino ser entendido como uma competição selectiva e não como uma capacitação integradora”. E portanto, neste sentido, “o sistema de ensino, tal como está organizado, não é vocacionado para promover o sucesso dos alunos, mas tão-só para os seleccionar ao longo do seu trajecto educativo” David Justino, 2010. p.63


A forma como se distribuem as elevadas taxas de retenção ao longo dos 12 anos de escolaridade, sugerem problemas de articulação entre ciclos, excessos de mudanças de estabelecimentos e uma débil orientação das escolas para prevenir o insucesso escolar.


A acumulação dos insucessos no trajecto escolar é um factor de antecipação do abandono, e conduz a baixas expectativas de escolarização e da auto-estima.


Bibliografia


Justino, D. (2010). Difícil é Educá-los. Lisboa: Relógio D'Água Editores.



Apologia


È um livro interessante sob vários aspectos da educação. David Justino parece-me um bom conhecedor do estado da educação deste país e da sua história.


É um bom livro para se ler e rever.


Tive a oportunidade de ouvir David Justino num dos seminários sobre educação em Braga, promovido pela ANP. Poucos momentos levaram-me a crer, ser uma pessoa de poucas palavras mas boas. O seu livro revela bem a pessoa que é, pois não usa a pretensão para formar uma opinião, e é de compreensão fácil e ideias claras.

sábado, 2 de abril de 2011

Quanto vale o seu filho?

“Sempre que encontrava um pai a protestar por causa da vida, do salário, da empresa, ele olhava para o filho que estava ao seu lado e chocava-o:


- Quanto vale o teu filho?


Espantado, o pai dizia:


- Não tem preço!


- Então, tu és o mais rico dos homens”


Augusto Cury, "O Semeador de Ideias" p.20

Educação de Adultos - Teia do Amor

Teia do Amor Trabalho realizado pelas turmas EFA b1, FCB e PFOL Este trabalho, foi construído em forma de uma teia de corações, onde fo...