“Quando em Novembro de 1996 a imprensa escrita divulgou os resultados do Third International Mathematics and Science Study (TIMSS), os portugueses….não queriam acreditar. No que estavam a ler.
O TIMSS foi um dos primeiros e, sem dúvida, o mais vasto estudo internacional sobre os níveis de desempenho dos alunos em 40 países do mundo. A partir de testes, aplicados nos anos de 1994 e 1995 aos alunos de diferentes ciclos de ensino, com vista a avaliar os seus conhecimentos de matemática e de ciências, foi possível comparar, país a país, qual a sua capacidade de resolver alguns problemas que lhes eram colocados, bem como o seu domínio dos conhecimentos daquelas duas disciplinas. ….
Quer em matemática quer em ciências, o nível médio das classificações obtidas situavam-nos no fundo da tabela dos países participantes, especialmente dos europeus, e só ligeiramente acima de países como a República Islâmica do Irão, a Colômbia, o Kuwait ou a África do sul. …
A imagem de um Portugal moderno, europeu e parceiro das mais avançadas economias e sociedades do mundo era assim confrontada com a dura realidade de os portugueses serem “pouco e mal educados””.
David Justino, 2010, “Difícil é Educá-los” p. 13, 14
“Para além dos resultados testados a matemática e as ciências, só dois indicadores poderiam justificar a nossa posição: Portugal era um dos países com menor taxa de escolarização secundária e daqueles com menor percentagem da população em viver em áreas urbanas. Ou seja, as razões do défice educativo iam bem mais fundo na estrutura social portuguesa, aparecendo o sistema de ensino como uma mera expressão de problemas que iam muito além das escolas, dos professores ou dos políticos, por mais que fossem estes os acusados de tal insucesso.
Nos anos seguintes, Portugal não voltou a participar nos estudos do TIMSS promovidos pelo International Study Center de Boston. Mas, a partir do ano 2000, o nosso país passa a integrar o painel de países que sustentam o Programme for International Student Assessment (PISA) coordenado pela Organização para o Desenvolvimento e cooperação Económica (OCDE). Os resultados referentes a 2000, 2003 e 2006, cobrindo a literacia matemática, científica e da leitura, vieram co9nfirmar, com escassas variações, o valor limitado da nossa educação que os estudos anteriores haviam identificado.”
David Justino, 2010, “Difícil é Educá-los” p. 15
“O que é o PISA?
Será melhor começar por esclarecer o que é o PISA (abreviatura de Programme for International Student assessment), já que se trata de um programa internacional de avaliação comparada da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico), destinado a produzir indicadores sobre o desempenho dos alunos da faixa etária de 15 anos (idade que se pressupõe que, na maioria dos países, se situa o termo da escolaridade básica obrigatória).
Esses indicadores, que pretendem tirar conclusões sobre a efectividade dos sistemas educacionais (e que o GAVE – Gabinete de Avaliação Educacional do ME – tecnocraticamente chama “monitorizar, de uma forma regular, os sistemas educativos em termos do desempenho dos alunos, no contexto de um enquadramento conceptual aceite internacionalmente”), são estabelecidos com base em provas e questionários, com a perspectiva da mensuração das competências dos alunos nas literacias de leitura, matemática e científica, além da resolução de problemas.”
Rolando Silva, 2011, “ESCOLA, informação nº243”, p. 12
Embora, David Justino(2010) aponte, que
“Hoje, passados quase quinze anos sobre a publicação desses primeiros estudos internacionais, o debate sobre educação continua na ordem do dia e nem por isso se encontraram as melhores soluções para tão incómodo problema. Pelo contrário, ao invés do que seria desejável, a educação continua a parecer um autêntico “campo de batalha” de onde ninguém sai vencedor”. p.15, 16
Rolando Silva (2011) refere que:
“Na comparação entre 2006 e 2009 a variação foi positiva em todos os três domínios, atingindo 21 pontos em Matemática, 19 em Ciências, e 17 em leitura. Contudo, apesar de ser quantitativamente o índice mais baixo de variação, foi a literacia de leitura que , no conjunto dos 33 países da OCDE, Portugal foi o 4º país que mais progrediu e, na literacia científica alcançou ainda mais sucesso, tendo atingido o 2º lugar em termos de progressão, no conjunto dos 33. Na soma do conjunto dos 3 domínios, considerando os quatro ciclos de avaliação, Portugal progrediu 20 pontos, tendo sido o país que mais progrediu no conjunto dos países da OCDE. Por domínios, em leitura Portugal obteve o 4º lugar na progressão, no período entre 2000 e 2009, tendo alcançado o mesmo lugar em matemática, no período entre 2003 e 2009, enquanto que nas ciências ficava em 2º lugar, no período entre 2006 e 2009”. P.14
Nenhum comentário:
Postar um comentário