quarta-feira, 9 de março de 2011

Frases Soltas/ Palavras loucas/ Orelhas moucas - II

Acerca de avaliação do desempenho de docentes:

“A avaliação de desempenho dos trabalhadores da educação, por assentar em princípios não formativos, é um grave problema com que as escolas se debatem, tanto a dos não docentes como a dos docentes, que têm vindo a merecer uma forte luta por se tratar, comprovadamente, um modelo inaplicável, desajustado, discricionário e pejado de ilegalidades. O combate a uma avaliação que não contribui para a melhoria do desempenho, antes as constrange, será uma das bandeiras da luta dos profissionais, sejam eles avaliados ou relatores.”

Jornal da FENPROF, Fevereiro 11, p.5

“…O modelo está a destruir o que de muito positivo existia nas escolas – o regime de cooperação inter-pares – e ao mesmo tempo a bloquear o normal funcionamento das escolas com a torrente de procedimentos, descritores, fichas, perfis de desempenho, grelhas de observação e tantos outros papéis e papelinhos.”

Manuel Grilo, Jornal da FENPROF, Fevereiro 11, Uma vergonha, p. 13

…o actual modelo de avaliação do desempenho docente carece urgentemente de ser revisto. E isto porque, apesar de nem ter ainda terminado o seu primeiro ciclo de aplicação, já mostrou à saciedade tratar-se de um modelo extremamente burocratizado e quase totalmente isento de propósitos formativos, completamente desadequados das finalidades a que supostamente se propõe e que não serve, portanto, os interesses de escolas, docentes ou alunos. A gravidade dos problemas que já vêm ocorrendo um pouco por todo o país mostra até que o processo está a ter um impacto profundamente negativo na tradição de trabalho cooperativo de educadores e professores.

José Manuel Costa, jornal da FENPROF, Fevereiro 11, Como exercer o direito à objecção de consciência, p. 18

…um modelo que se baseia “na desconfiança gratuita relativamente ao seu trabalho, uma avaliação geradora de conflitos entre pares e que se apresenta excessivamente burocrática onde o conceito de avaliação formativa é totalmente minimizado. Neste modelo, o objectivo final é o preenchimento de grelhas/formulários onde os pressupostos quantificadores se sobrepõem aos aspectos qualitativos! Para além disso, a subjectividade do avaliador, relativamente aos descritores das grelhas de avaliação, é uma realidade constantemente reconhecida, diversas vezes, quer pelos avaliados quer pelos próprios avaliadores. …A prática da avaliação deve ser um processo natural, integrado no trabalho dos docentes, não pode ser um evento no qual se concentram todas as atenções, que monopoliza horas e desgastas energias.”

Fernando Vicente, Jornal da FENPROF; Fevereiro 11, Açores ao rubro!, p. 19

Acerca de Inclusão:

“Arrastamento de um regime de Educação Especial que não promove a inclusão ao deixar de fora dos apoios milhares de alunos com necessidades educativas especiais.”

Jornal da Frenprof, nº 249 Fevereiro 11, P.5

Num quadro de uma estratégia de redução das responsabilidades do Estado nesta sua importante função social, o ME impede as escolas de desenvolverem respostas diversificadas para os alunos com necessidades educativas especiais, tornando-as instituições onde a exclusão se tornou a regra e a inclusão a excepção. A privatização de uma parte do currículo do 1º ciclo com a imposição das AEC’s transformou o conceito de Escola a Tempo Inteiro em Tempo Inteiro na Escola, transformando a criança num aluno permanente. Este é um processo asfixiante para alunos, docentes e autarcas, que torna as aprendizagens débeis e o trabalho pedagógico infrutífero.”

…lutar por uma Escola Pública de Qualidade e verdadeiramente inclusiva, pilar fundamental para o aprofundamento da democracia e para a construção de uma sociedade socialmente mais justa e solidária”

Manuel Nobre, Jornal da FENPROF, Fevereiro 11, Defender a Escola Pública, p. 6

“Num país que ainda há cinquenta anos não tinha escolaridade obrigatória de quatro anos (foi estabelecida a 4ª classe obrigatória para rapazes em 1956, e parta raparigas em 1061), em 1974 apresentava mais de 30% de analfabetos, e que em 2001 ainda não conseguira reduzir este valor para menos de 9% (dados do INE), não admira que as bibliotecas escolares só no fim do séc. XX tenham sido 0bjecto de políticas educativas”

Mª José Vitorino, Profissionais em Bibliotecas Escolares – Q.B.?, Escola informação, Nº 243, Março 2011, p.25

“Ninguém com o mínimo de informação e de bom senso acredita no modelo de avaliação de desempenho – se é que tal se lhe pode chamar – que actualmente desvirtua as aprendizagens, destrói o normal ambiente de trabalho, envenena as relações entre professores.

… todos já perceberam que não há ministério da Educação, é o das Finanças que determina o que a 5 de Outubro faz ou deixa de fazer.”

António Avelãs, Escola informação, Nº 243, Março 2011, p.3

Novas Oportunidades

“A generalidade dos adultos diz: “eu saio diferente deste processo”, afirmou Almiro Lopes numa intervenção de análise e valorização da importância das Novas Oportunidades. Sublinhando que está em causa o desenvolvimento de uma educação pós-inicial e não um mero paliativo. Neste quadro, o Reconhecimento, Validação e Certificação (RVCC) deve ser visto como um ponto de partida num processo educacional mais amplo, exigindo a optimização da função formativa (envolvendo projectos individuais e colectivos).”

Escola informação, Nº 243, Março 2011P. 7

“conhecer apenas fragmentos desagregados de realidade faz de nós cegos e impede-nos de enfrentar e compreender problemas fundamentais do nosso mundo enquanto humanos e cidadãos, e isto é uma ameaça para a nossa sobrevivência”

Edgar Morin, in ciência hoje, 22-5-2009. P. 7

“A escola de hoje tem de adoptar um modelo mais diverso ou o risco será termos uma escola dual. O alerta foi dado por João Formosinho, que considerou que a gramática da escola actual foi criada para uma escola de elite, quando neste momento temos uma escola de massas.

…Em causa está, nomeadamente uma pedagogia em que a criança continua como ouvinte e não construtor da sua aprendizagem e o professor como transmissor de conteúdos e executor de programas.

Esta mesma necessidade de considerar a diversidade da escola (sem categorizar os alunos mas promovendo a inclusão de todos, nomeadamente os que apresentam alguma forma de deficiência), foi abordado por David Rodrigues que citou um sociólogo da educação para afirmar não ser possível ser pragmático sem encontrar soluções complexas para problemas inerentes complexos.”

Escola informação”, Nº 243, Março 2011, Escola de massas e diversidade, P. 6

“A rigidez do modelo educativo é uma rigidez militar

…Porque não há lugar ao debate, à dúvida, ao reconhecimento de que haja interesses, preconceitos.

Pode-se admitir que um estudante entre em contacto com o conhecimento cultural servindo-se única e exclusivamente de uma fonte informativa?

Ora este conhecimento é construído por seres humanos. Que têm ego, interesses, preconceitos.

…Uma das grandes questões que se coloca ao sistema educativo é a revisão dos conteúdos com que se está a trabalhar, que não correspondem ao mundo de hoje. No mundo adulto estudamos coisas uma forma mais interdisciplinar. É uma organização do pensamento muito mais interdisciplinar. No ensino, continuamos a manter estruturas e formas de organização medievais.

….Importa debater e rever, na escola, o mundo dos conteúdos e o mundo dos recursos didácticos. Seguidamente, ver que formação deveremos dar aos professores para trabalhar deste modo.

Quais as estratégias para ensinar as aprendizagens. E, por último, que modalidade de avaliação.

O que se está a fazer é o contrário. É a obsessão de como avaliar. A pressão do Estado no sentido de avaliar.

…. Muito se fala de que os modelos de avaliação, formas de avaliação.

E onde é que se fala de conteúdos, de que tipo de escola, porquê, qual a finalidade do sistema educativo, que recursos educativos deveríamos ter, que instalações?” Jurgo Torres, 2011, “Escola informação”.

Nº 243, Março 2011, p. 9. 10. 11

“Uma última questão: que obstáculos maiores se levantam à implementação de uma educação mais aberta, mais libertadora?

…O que se está a passar neste momento é que as ideologias mais de direita são muito fortes e dominantes. Porque a esquerda tem mais problemas e foi muito atacada, dizendo-se que já não havia ideologias porque a única que havia chamava-se socialismo e caiu com o muro de Berlim. E a partir daí já não havia alternativas.

Levaram muita gente a acreditar nisso. E muitas pessoas continuam a ter dúvidas: se chegou o fim da história, se o único modelo possível é este.

Não é aceitável que o Ministério da Educação de todo o planeta Terra seja, neste momento, uma coisa que se chama OCDE – Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico. Não de desenvolvimento social, nem de desenvolvimento ético, nem de desenvolvimento pessoal, nem artístico. Não – de desenvolvimento económico!

E isso é a vida do ser humano? Somos pecinhas de uma engrenagem para fabricar dinheiro?

Quem é qua avalia as várias dimensões do conhecimento? Que coisas é que o PISA não avalia? Falando de educação integral – uma pessoa bem formada terioa que o ser nas mais diversas dimensões. Não apenas em matemática, ciências e leitura. E quem é que tem em conta as outras dimensões?” . Jurjo Torres (2011).

Escola informação”, Nº 243, Março 2011, p. 11

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