"Foram milhares os portugueses que entre 1974 e 1975 fizeram a maior ponte aérea de que há memória em Portugal. em Angola, aluta pelo poder entre os movimentos independentistas espalhou o terror e a morte por um país outrora considerado a jóia do império português. Naquela espiral de violência, não havia outra solução senão abandonar tudo. Emprego, casas, terras, fábricas, amigos de sempre. Partir e recomeçar um nova vida em Portugal que os recebia com desconfiança e um carimbo de «retornados»".
Júio Magalhães, 2008
"OS RETORNADOS um amor nunca esquece"
A Esfera dos livros - Lisboa
"A 10 de Novembro o governo considerou concluída a ponte aérea, a maior de sempre da História do país.
É já em Portugal que milhares de portugueses oriundos de Angola assistem pela televisão ao mais doloroso momento da sua história: o alto-comissário Leonel Cardoso, que tinha sido nomeado para substituir Silva Cardoso, lê a mensagem de proclamação da indenpendência. Um discurso crítico, onde faz questão de dizer que Portugal tentou, mas não conseguiu, que o processo de independência fosse feito em paz e absoluta serenidade democrática.
«Em nome do presidente da República Portuguesa, proclamo solenementer, com efeito a partir das zero horas do dia 11 de Novembro, a independência de Angola e a sua plena soberania, radicada no povo angolano a quem pertence decidir das forças do seu exercício.»
Logo a seguir e sob escolta terrestre e aérea dirige-se à base naval da ilha do Cabo e abandona solo angolano. No dia seguinte, Agostinho Neto, líder do MPLA proclama a independência de Angola.
Curiosamente, em Quinfandongo, a poucos quilómetros do local das cerimónias, a FNLA de Holden Roberto tenta impedir a proclamação da independência e trava-se um dira batalha entre militantes dos movimentos que ceifa centenas de vidas.
Em Nova Lisboa, Jonas Savimbi promove uma cerimónia que é também uma proclamação de independência aquele território no qual marca terreno. No Ambriz, dias mais tarde e depois da derrota das suas tropas em Luanda, Holden Roberto faz o mesmo.
A guerra entre facções indenpendentes iria durar quase trinta anos."
Júlio Magalhães, 2008: p.185
Em 1974
"Nos meses de Outubro e Novembro, os três movimentos de libertação, FNLA, UNITA e MPLA, abriram as suas sedes em Luanda. ...Cada movimento tinha autênticos quartéis instalados na cidade. As sedes da UNITA e da FNLA ficavam mesmo em frente uma da outra e toda a zona envolvente era considerada território de guerra. Os seus homens estavam tão bem armados quanto mal preparados. Os insidentes sucediam a um ritmo vertiginoso."
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Em Janeiro de 1975, o governo português conseguiu juntar no Alvor, Algarve, os três principais movimentos de libertação angolana, fazendo jus a uma promessa de Mário Soares, então ministro dos negócios estrangeiros, que não agradou a milhares de portugueses radicados em Angola: «O governo de Lisboa só negoceia com movimentos que tenham pegado em armas.« Ficavam de fora as dezenas de movimentos, na maior parte constituídos por brancos, que tinham sido formados entretanto em Angola."
Júlio Magalhães, 2008; p. 114
"OS RETORNADOS um amor nunca se esquece"
Eu estava lá, eu vi...
Nasci em Angola em 1960, na rua Afonso VI, em Luanda, Junto ao Morro, em pleno "Terrorismo". Angola era a minha terra. Toda aminha vida, até à vinda, foi vivida como se aquela fosse a nossa terra. Quando se deu o "25 de Abril", todos ambicionamos a independência como qualquer angolano.
Como gozo das ultimas "graciosas", que os meus pais teriam como trabalhadores portugueses, marcámos viagem para o dia 9 de Julho de 1975. O avião atrasou-se e nessa noite ouvia-se o tiroteio dos partidos junto ao aeroporto pelo que os aviões não conseguiram partir à hora prevista e pelo que se veio a saber depois: O MPLA tomava Luanda pela força, desrespeitanbdo os acordos com o governo português para a independência, a 10 de Julho de 1975.
Não mais voltei à minha terra...
Filomena Ferreira
Um blog interessante: